sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Elas, a felicidade e o vinho.

Com o tempo os homens vão aperfeiçoando o seu gosto para os vinhos. Para as mulheres também... Normalmente quando se é criança, o vinho ideal é o suco de uva, cheio de açúcar com um vermelho vivo... e quanto mais vivo for o vermelho, mais gostoso o “vinho”. Com o tempo, aparecem os brancos, descobre-se a diferença entre os açúcares, as cores, a graduação. O mesmo acontece para a mulher... Com o tempo, descobre-se que a mulher é bem mais do que a garrafa. Ainda assim, alguns ainda preferem a cerveja.
Normalmente a primeira mulher amada, ainda na infância, é aquela da escola. Loirinha, bonitinha, fofa... Olhos claros, pernas fininhas e ar angelical. Ela certamente é o nosso suco de uva. Aquele que é adorado por todos nessa idade... e que com o tempo fica para trás. Descobre-se que suas notas são comuns, algumas delicadas e admiráveis, no entanto, superficiais.
Acredito que na adolescência se descobrem os vinhos tintos jovens, aqueles pelos quais ficamos fascinadas ainda pela cor e pelo primeiro sabor que nos oferece a boca. Assim como as mulheres. Procuramos as mais lindas, mais populares e a aparência ainda é o suficiente pra tirar-nos o sono. Descobrimos o Pinot Noir, o Merlot. Infelizmente o tempo desses vinhos é limitado. Com o tempo eles ficam oxidados e perdem o melhor deles. Não está proibido de encontrarmos um Beaujolais Noveau, um vinho inesquecível. Certamente vamos passar por grandes vinhos e não vamos saber aprecia-los, no entanto, insisto que o que nos chamará a atenção será a cor e pelo primeiro sabor.
Um pouco mais tarde faremos duas descobertas grandes. Os vinhos brancos e os aromas dos vinhos. É aquele momento em que nos libertamos da aparência. É claro que ainda ficamos fascinados pela coloração, mas descobriremos que a coloração mais forte não significa obrigatoriamente qualidade. Cuidado com as aparências é a principal lição que aprendemos a custa de muita ressaca. Com as mulheres passamos a valorizar o que elas nos fazem, mais ainda é superficial, não chegamos ainda ao fundo, ao que importa, nos vinhos e nas mulheres. Nesse momento, quando temos sorte, conhecemos um Chardonay ou um Moscatel, sua doçura natural e seu frescor.
Um belo dia a gente vai entender que o vinho é bem mais do que o primeiro sabor que vem a boca. O vinho tem uma história, terra, notas, acidez, uma família e várias vidas por trás. Nesse momento descobrimos que, quando nos apaixonamos, nos apaixonamos por muitas coisas além do primeiro sabor, das mulheres e do vinho. Normalmente percebemos que a força das mulheres é algo a ser valorizado... do vinho também. O aroma do Malbec e as notas marcantes do Carmener são as pedidas para acompanhar mulheres que nos ensinam as lições que levaremos para toda a vida. Passamos então a procurar o vinho perfeito... o vinho de nossa vida. Passamos a vida inteira procurando. Quanto às mulheres, passamos a pensar em encontrar aquela que vai provar os vinhos com a gente. Algumas mais secas outras mais fortes. Gewürztaminer, ou outro Riesiling vão nos fazer entender que não existe um vinho igual ao outro, não há garrafa igual a outra.
Já na idade adulta, com a maturidade, finalmente chegamos aos melhores vinhos. A idade, a vida nos proporcionou provarmos vários. Assim como as mulheres. Normalmente nessa idade já temos idéia do que queremos. É a hora de harmonizar.... comida, vida... vinhos e mulheres. Já estamos vivendo o nosso momento e, então, conseguimos, com sorte e talento, a mulher da nossa vida. Aquela com quem vale a pena dividir um bom branco... tipo um Chablis ou um Sauvignon Blanc. Nos momentos felizes, um Mersault ou um Pinot Meunier da região de Champange, vão acompanhar a vida dos dois até a chegada de uma suave criança que vai enriquecer a vida do casal, como um bom tinto Valpolicella faz com uma boa refeição.
O vinho perfeito é a felicidade. Você nunca vai encontrar em uma garrafa... vai passar a vida procurando, mas estará certo de que um dia você vai encontrar e cada vez que provar uma alegria ou um vinho, vai sorrir e entender que a felicidade está sempre ao seu lado, dividindo o cálice contigo, ou até mesmo um copo de cerveja.

4 comentários:

Carlos Mota disse...

Caraca, meu!!! Que texto!!! Com ele tive certeza do que eu já tinha certeza: não entendo nada de vinhos. Mas percebí que só entendo de mulheres. Todas elas são lindas e perfeitas; basta beber a dose exageradamente certa.

Taíse disse...

Mais uma vez você me emocionou.

Bjo grande bom final de semana!!

Taíse

Taíse disse...

Quero, não, preciso complementar meu post anterior. Não apenas me emocionei com o texto do meu priminho, como concordo e assino em baixo. É assim com homens e mulheres... me vi em cada uma das fases relatadas por ele. O namoradinho da escola, as "aprendizagens" na adolescência, as voltas com um amor maduro. Mas, Ti, perdão, eu prefiro ceva, beeeeeem gelada.. Principalmente aqui na Bahia!!!
Bjão...

Homem do Contra disse...

E tem aqueles que gostam mesmo é de uísque.