terça-feira, 10 de junho de 2008

Juruna e Feijo

Perdoem, mas eu não resisti:

Juruna e Feijó:


Mario foi eleito em 1982. Seria deputado federal e deputado constituinte. O índio ganhou notoriedade, durante a década de 70, por exigir a demarcação das terras dos índios e então foi convidado por Leonel Brizola para ser deputado. Com a promessa de que poderia defender o seu povo, oprimido desde a época de colonização, Mario aceitou o desafio e foi facilmente eleito. Logo nos primeiros meses de seu mandato ganhou reconhecimento por andar sempre com um grande gravador. Deixava claro para todos que estava gravando os diálogos e virou motivo de piada.
Ninguém levava Mario a sério. Ainda assim, ele acusou, sem gravação, um deputado de tentar comprar seu voto no colégio eleitoral na eleição onde se defrontavam Tancredo Neves e Paulo Maluf. Desiludido com a política, mas pressionado pelo partido, ele concorreu nas eleições de 1986 e não foi reeleito. Em 1987 deixou a câmara dos deputados, mas seguiu ligado à política sempre defendendo a causa dos índios e mantendo em riste o seu gravador.
Paulo entrou para a política em 2006. Queria ser vice-governador do estado do Rio Grande do Sul. O empresário ganhou notoriedade ao ser presidente da Federasul e defender os direitos dos empresários. Ligado ao Partido Democratas, ele teve a promessa de que poderia lutar pela redução do estado e dos impostos. Paulo foi eleito, mas antes mesmo do pleito, já era pedida a sua renúncia sob a alegação de que falava demais. Paulo ganhou reconhecimento depois de gravar uma conversa com César, secretário chefe da casa civil do estado. Este tentava explicar-lhes os meandros da política. Paulo virou motivo de polêmica.
Ninguém levava Paulo a sério. Ainda assim, ele acusou, com gravação, o secretário de lhe propor indecorosamente apoio a Governadora Yeda. Desiludido com a política, Paulo sofre ameaças até mesmo de seus pares de partido. Em 2010 Paulo provavelmente deixa o mandato, mas seguirá ligado a política, defendendo sua classe: Os empresários.
Mário ficou conhecido como Juruna o Cacique do Brasil. Paulo ficou conhecido como Feijó, o empresário do estado. Juruna morreu de diabetes em 2002, Feijó ainda vive, mas politicamente sofrerá por ter tido a atitude de um índio num país onde o que mais existe é cacique.

5 comentários:

Marcelo Ribeiro disse...

A diferença é que o gravador do Índio era enorme e todos conheciam.


O do Empresário, sorrateiro.

Sem entrar no mérito dos efeitos: o método me incomoda. Polui a denúncia.

Mas o circo tá de pé.

Marcelo Ribeiro disse...

Mais uma coisa:

Esse texto está inspiradíssimo.

Parabéns.

Tiago Paixão disse...

Obrigado Caro Do Contra...
Como disseste... Circo armado... os palhaços? somos nós! De fato a forma que foi realizada a gravação, não foi correta.

Dona Sra. Urtigão disse...

Por favor me aponte coisas absolutamente corretas nesse meio, quem sabe melhore meu estado de espirito, quem sabe eu até...volte a acreditar em alguma coisa alem da relativização da ética coisa que como voces sabem deveria ser um universal e portanto com critérios absolutos ( mantenha-se a distinção entra ética e moral, esta sim relativizada culturalmente)

Felipe disse...

O meu partido
é um coração partido...